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29/01/2023

Cenários

Capturar


Imaginando que daqui a dez anos estamos sob a pata de um regime autoritário de Direita, é-de pensar que será feito da vozearia uníssona dos democratas de ocasião que domina a comunicação social, as empresas, editoras e consultoras de divulgação de propaganda política e cultural, os blogues e redes sociais vips. Enfim, os marketers da política e cultura. Naturalmente, a maioria destes orientadores de mentalidade não arredará pé dos seus postos privilegiados. Adequará outrossim, e como é habitual em Portugal, o discurso à situação para se manter na mó de cima com o regime que vigorar. Com oportunismo usará a mesmíssima retórica para defesa de tudo quanto hoje diz detestar. O móbil é o poder e não os princípios. O conhecimento - em rigor, mais parco do que a aparente vastidão dos catálogos debitados e rendilhado da narrativa - é posto ao serviço de interesses egoístas, pessoais e de clã.


Assim que caísse o regime autoritário de Direita - que não creio venha sequer a vingar, ou pelo menos assim tenho esperança, apesar de tudo depender da evolução da guerra e conflitos que se avizinham e dos ajustes e desajustes de poder das principais forças e agentes internacionais -, a mole de gente que domina a opinião em Portugal construiria uma história de incontestáveis factos de resistência aos anos de ditadura que comoveria as pedras da calçada, para se alçar de novo a paladina da Democracia. Enalteceria de novo o pluralismo de opinião, que às suas mãos se reduz a mecanismos de manipulação do pensamento, assim se perpectuando no poder fáctico seja qual for a circunstância, seja quem vingue no aparelho de Estado. E assim se faz a História que não vem nos manuais. 


Só banalidades. Só bitaites comezinhos. Neste espaço não se passa disto, não se aprende nada. Aliás, aqui é só atoardas. Nada que interesse a iluminados. Ide procurar substância, rigor e erudição noutro lado. Andor.