Ainda bem que decidi antes dos 30 não voltar a aceitar convites para festas de casamento e outras que tais - não que tenha tido rodos deles, mas quebrei a regra uma única vez por se tratar do casório do meu mais velho amigo e porque faltar seria indelidadeza imperdoável; de resto depois de muitos festejos em miúda, a partir dos vinte e muitos esquivei-me aos casamentos sempre, fosse em que circunstância fosse - aliás não abri excepção para mim própria, em absoluta coerência com o mau génio e pouca queda para nós e laços apertados.
Fico a imaginar: se esta regra dos testes nos casamentos tivesse valido em novita, no tempo em que tinha vida familiar e social dita normal, ter-me-ia sujeitado à ditadura?
Aquilo a que as pessoas se sujeitam continua um mistério para mim. Cada vez me sinto melhor sendo bicho do buraco.
Pensando bem - e utilizando o mui habitual raciocínio no burgo, bem inquinado com os próprios apetites e sem atender aos interesses de todos - acho muito bem: estou com as autoridades. Há que vigiar essas reuniões de gente esquisita que gosta de confraternizar em grupos de mais de 10. Gente estranha, só pode. Se puder ajustar o regulamento abro apenas uma excepção: em vez do conceito de agregado familiar, uso o de família apenas, atendendo ao facto de haver umas maiores do que outras. Mas só preciso da excepção para Dezembro, para já pode ficar a valer a lei do bicho de buraco - por falar nisso, anti-sociais uni-vos: é a hora da nossa vingança.