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27/06/2021

A nuvem

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Em Setembro fará dois anos sobre a primeira consulta no Santo António com vista à cirurgia bariátrica, no caso o bypass gástrico.  Seguindo o ritmo dos últimos quinze anos – aliás acelerando – no último ano consegui a proeza de ganhar mais quase dez quilos. Além das razões óbvias que se prendem com o comer em excesso e estar sujeita a medicação que potencia o aumento do peso, creio que o que mais tem contribuído para o descalabro são as minhas ideias geniais para dietas: a cada mês ou trimestre uma nova. A última panca foram os batidos, não os de fruta - essa fase já me passou -, mas estes baratos que se vendem no supermercado – e há bem caros no mercado fashion das dietas.


Admito que às vezes sonho acordada que toca o telefone e é do Santo António. De lá alguém me pergunta se aceito ser já operada face a desistências ocorridas. Depois acordo e caio na real: só nos primeiros meses de 2022 é que tratarei de fazer a cirurgia que me começará a extirpar a irmã gémea que trago acoplada contra vontade. E só aí terei ajuda – a efectiva solução, a motivação externa de que preciso – para recomeçar uma vida com hábitos alimentares saudáveis. Sejamos optimistas: já faltou mais. Na verdade, foi tanto na minha vida o que surgiu com atraso de décadas - e disso resultaram danos irreparáveis. A vida é como é, há-que aceitá-lo. As facilidades e doçuras não gostam de comparecer por estas bandas. Nada que não digamos todos: somos uns mártires. Claro, uns mais do que outros.


Neste compasso de espera – contingências de quem não está habituada a furar filas e aguarda paciente a sua vez - começa o ciclo: hum, se substituísse as refeições por batidos; hum, se comesse sopa sem batata e fruta; hum, se seguisse o sensato programa da nutricionista; hum, se deixasse de comer pão e queijo; hum, se usasse a elíptica regularmente. Pois, já tudo foi pensado, já tudo foi experimentado. Por muita razoabilidade haja nos conselhos que apontam para o equilíbrio e os hábitos saudáveis, o certo é que cada um é como cada qual, e não me recordo de nenhuma vitória significativa minha que não tenha passado por uma atitude radical de entrega, de risco e renúncia.


Espero e desespero pelo dia em que diga: Não! A partir de hoje é à séria. E seja.