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07/06/2021

Complexificar

Noutro dia em que não tenha dor de cabeça (às vezes lá acontece tê-las) escreverei um postal mais pensado sobre a tendência absurda de complicar complexificar todos os raciocínios, acções e tarefas. O mundo profissional - seja o das empresas seja o do sector público - foi atingindo nos últimos anos pela hecatombe da multiplicação de procedimentos e, em muitos casos, a ideia é a de preparar terreno à simplificação e robotização das tarefas.


Como já aqui escrevi – hoje não vou colocar o link, mas creio que o postal em causa se chama ‘Gadanha’ -, é uma realidade que me faz sorrir - com um quê de trocista, confesso a ignorância e a menoridade –, ao lembrar o Sítio do Pica-Pau Amarelo e a imagem de se esvaziar o mar a balde.


A ideia que dá é que tendo grande percentagem da população acesso ao ensino, chegada à conclusão que é capaz de discorrer, uma vez munida de poder – seja apenas oratório ou real e efectivo, i. é, capaz de impôr mudança na sua vida e na vida dos outros - enche o peito de ar e vai de experimentalismo teórico. Nas escolas, nos bancos, nas empresas multiplicaram-se ao absurdo os procedimentos e tarefas sobrepostas e redundantes a que os trabalhadores estão sujeitos.


Somam-se e encastelam-se os planos para supostamente rentabilizar o tempo e os meios. Mas fica por saber se sabem definir prioridades, anular tarefas sobrepostas, articular trabalhos de forma eficiente e minimalista, ao invés de acrescentar, acrescentar rol imenso de procedimentos fúteis e prejudiciais. Fica por saber se é conhecida a possibilidade de dizer NÃO ao absurdo, quando se está absolutamente embrenhado na vontade de encher chouriços para mostrar ‘trabalho’ ou se fazer pagar por serviços de consultadoria estendendo a ‘consulta’ por longos períodos até que se consiga adequar a realidade às exigências legais e regulamentares, que por sua vez e como uma pescadinha-de-rabo-na-boca há muitos anos obedecem à lógica disparatada de quanto mais legislação melhor, empolando as reais necessidades das empresas e das instituições.


Resta saber se esse atraso de vida por alegada sofisticação irá contribuir para termos alunos mais preparados e empresas mais produtivas. Para já o único efeito útil que vejo desta tendência é a criação e proliferação de emprego entre os especialistas e consultores do nada e do artifício.


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Nem de propósito acabo de receber duplicação - num caso triplicação - de sms relativas à confirmação do agendamento de vacinação dos residentes cá de casa.