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19/06/2021

Ora, "vamo" lá ver

São 15h30 e o jogo Portugal-Alemanha é às 17h00.


Como acordei às 8h30 e tratei de quase tudo de manhã - mini arrumo na casa, supermercado, barbeiro (isto de há anos acompanhar o Nuno aos barbeiros foi todo um mundo novo que se abriu para mim), farmácia -, não tenho nada de inadiável para fazer esta tarde senão lavar a caixa da areia do gato, estender a roupa, acabar um livro (mentira, não vou, nem ver a série do fim-de-semana; não estou para aí virada), ir comprar pão à padaria e dormir meia-hora extra para à noite estar tragável. Ah, falta claro tomar decisões e resoluções a longo prazo que se esvaem em dois ou três dias. Mas como também quero escrever um postal é certo e sabido que alguns dos inadiáveis ficam pelo caminho. O que vale é  que trouxe o almoço feito da rua (oh preguiçosa, oh Satanás) e a arrumação da cozinha compete ao Nuno (há anos que não sei o que é lavar loiça - oh mulher fútil armada em moderninha). Nada disto interessa muito: as notícias a nível profissional esta semana parecem (a lucidez impõe prudência) moderadamente simpáticas, com cada pequeno passo a implicar negociações difíceis e vantagens parcas. Portanto, a vida "flói" serena como de costume para a proletária desinteressante e pouco capaz. Há-de ser assim até à reforma que isso de singrar pelo próprio valor é para gente superior. E textos pertinentes e brilhantes, bem articulados e em bom português não estão ao alcance do proletariado mas de gente de boas relações, risonha e com boa imagem. Enfim, gente com glamour e bem sucedida.


Hoje para redigir o postal em vez de ler um punhado de notícias na íntegra, vou ver se leio capas dos jornais das últimas semanas. Talvez arranje ingredientes. Deve ser quanto baste. A ver vamos. Agora vou mesmo estender a roupa. Volto depois do jogo: o primeiro que vou ver deste Europeu.


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Pronto, já está.