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Ainda sou do tempo (isto agora sem memória colectiva quaisquer três anos parecem uma eternidade como no universo orwelliano) em que os europeus pasmavam de sobressalto com o topete das autoridades chinesas na criação de mecanismos de diferenciação e hierarquização de cidadãos.
Recordo esta notícia do Público: «Pequim está a desenvolver um sistema de classificação e hierarquização social a partir dos dados pessoais que os cidadãos entregaram às aplicações móveis. E essa pontuação pode determinar o acesso ao emprego, o lugar num comboio ou até a descoberta de um parceiro sexual.» Lembro o alvoroço português perante tal desplante dos orientais.
E reparo com surpresa que a burocracia europeia criou sem comoção de espécie alguma nos políticos e comentadores nacionais - antes pelo contrário, parecem excitadíssimos com a novidade - o Certificado Digital COVID.
Dir-me-ão: sem comparação possível, está a misturar alhos com bugalhos.
Será? Se o dito certificado confere liberdade de circulação e acesso a locais públicos e espectáculos, isto não faz soar nenhum alarme?