Cautela é palavra que soa aos que foram e já não são senão na memória. É ela que a avisa e serena: não precisa de se apoquentar – palavra mais antiga ainda – com paixões. Sabe que como vêm, se vão embora deixando apenas a lembrança de sensações que já não vibram como no tempo em que são vividas. Por mais de uma vez conheceu a derrota no amor e sabe ter ganho de modo instintivo a couraça da razão: não a impede de se apaixonar, mas defende-a da crença ingénua nas ligeirezas e belezas amorosas. Dá por si a congeminar se aquela verdade resultado de estudo científico da cátedra lifestyle não terá cabimento: se o estado de paixão dura em média três anos, a sua última fogaça já terá percorrido quase metade do caminho e não tendo sido vivida pode ser que esmoreça em definitivo mais cedo.
Tem esperança nisso. Sente falta do tempo em que tudo estava em harmonia. Paixão e amor condicentes com o tempo experimentado. Quer regressar aos anos de caminho certo numa vida de errante.