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04/06/2021

Improviso


Este foi o primeiro vídeo que coloquei aqui nas Comezinhas, depois da pilha de livros que tinha lido por essa altura e antes das visitas guiadas a museus.


Regresso a ele por uma questão de juízo. Quando abri as Comezinhas tinha pouca vontade de dizer coisas, nem sabia bem o que dizer. Recordava-me dos anos opinativos em que muito me expus online e também dos anos de reclusão. Estava à época no limbo. Nem sequer tinha consciência que iria pespegar a Ana Paula aqui. É como tudo acontece na minha vida: sem grandes planos, apesar de às vezes poder dar ar de que planeio os passos seguintes.


Alguém próximo um dia me disse que assim como não quer a coisa sempre conseguia aquilo que queria: assim sem ninguém à volta dar por ela cedo deste a volta ao mundo [não dei, mas hei-de completar], assim sem ninguém à volta dar por ela foste vivendo a tua vida. E quando queres, vais conseguindo levar a água ao teu moinho.


Pode ser a imagem que passa, mas a verdade é que há muita inconsciência, improviso e surpresa na minha vida. Há momentos que quase só improviso.


Não fosse ter a sensação de estar presa por aquele fio invisível que me une à Natureza e um tanto de crença na predestinação e sentir-me-ia perdida. Mas não. Sinto-me em casa, seja aqui nas modestas Comezinhas, seja no majestoso e intimidante Universo.


O História do Mundo em Duas Horas, apesar de ter o irritante formato repetitivo que os americanos apreciam, é um bom documentário. O facto é que não conheço muitos documentários e este satisfez-me no essencial: reduzir-me à real dimensão. Ouvir a História do Universo e da Humanidade ao longo dos milénios faz-nos perceber não só quão pequenos somos – essa afirmação fácil – mas o quão ridículos somos em acreditar e bulhar pelas certezas momentâneas.


Voltar a este vídeo, aos museus, aos livros, à música, ao ballet e a tudo mais que me dê alegria é voltar à sanidade humana. O resto que se lixe.