



Sim, se seguisse as regras do ano litúrgico só fazia o Presépio no próximo Domingo. Mas há muito mundo para lá das regras. Para começar um dos presépios fica na caixa, não vá o Ritz estragá-lo mais do que já está. Por outro lado, nunca segui o calendário, mas sim a vontade de no início de Dezembro ter a casa com o aconchego que sinto no Natal, a razão pela qual faço usualmente o Presépio nessa altura - em criança fazíamos com musgo das pedras dos muros, rios de pratas de chocolates e maços de tabaco, pontes de pedras ou paus, e a árvore de ramo de pinheiro verdadeiro. Como era muito costume. Nas casas dos meus avós de ambos os lados a manjedoura ficava vazia até à noite de 24 de Dezembro.
Este ano antecipei-me. O próximo fim-de-semana deverá ser atribulado.
Percebo que um católico praticante não goste de ver perder o sentido nas regras e história ou razão da celebração do nascimento de Jesus Cristo e por isso não goste de certo desleixo, vulgarização ou comercialização das datas religiosas. Já lido bastante pior com críticas feitas por puro exibicionismo de erudição: todos anos aparecem os intelectuais do Presépio e da Árvore da Natal que peroram sobre o desrespeito dos ignorantes pela história, comportando-se com uma arrogância e petulância muito pouco cristã. Um dedo que advinha revela-me que alguns desses sábios entediados com a burrice dos outros não têm o menor respeito pelo verdadeiro significado do Natal, vivendo-o da forma mais hipócrita que pode ser vivido: provocando intencionalmente mal e dor ao próximo.
Para a maioria das pessoas que conheço Natal significa aconchego e estar em família. Coisas simples e tão difíceis de viver para tantos.