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Agradeço uma vez mais à equipa da SapoBlogs o destaque de ontem.
Aproveito para agradecer a companhia dos generosos visitantes das Comezinhas, em maior número nos últimos dias, e para admitir o seguinte: nem sempre posso falar da varanda, das flores, do dia-a-dia pacífico e de boas palavras.
Hoje dei por mim a pensar naquela ideia muito comum: "ah, porque nos havemos de chatear por causa da política, se no final eles são todos iguais?". Discordo totalmente desta visão: nem os políticos são todos iguais - apesar de maioria padecer dos mesmos defeitos em consequência dos circuitos de ascensão à política e aos lugares de relevância na sociedade estarem totalmente viciados pelo compadrio - nem a política é coisa de somenos importância. Foi a política que fez mergulhar o país em que eu nasci numa guerra fratricida durante 30 anos, é a política que determina o rumo da nossa vida - por mais que nos queiramos alhear e assobiar para o ar - e o que diz respeito ao meu país diz-me respeito. Traz-me contentamento ou sofrimento - às vezes fúria, admito. Mexe comigo desde sempre e por mais intempestiva e intransigente que seja, não me parece que veja tão mal a coisa que me deva coibir de manifestar o que penso e deixar-me ficar pelas flores e as boas palavras. Além de mais, o facto de não ter talento nem vocação para o comentário de estirpe e estereotipado sobre política, cujos rodriguinhos e dissimulações nada de bom trazem à vida do país, coloca-me na posição em que deveríamos estar todos: na do comum cidadão com preocupações sobre os problemas reais: nossos e dos nossos concidadãos. Tomara eu ouvir mais vozes - vou ouvindo algumas ainda tímidas - que mostrassem ao país quem são os portugueses reais - e não avatares de 'paradigmas' lifestyle ou de teorias de algibeira e das modas do 'economês' - e quais são os seus problemas, em vez de estarmos anestesiados com o futebol e as patranhas politiqueiras.