Acabaram os textinhos escritos nos dias em que estive afastada. Poderia ter doseado e colocado um por dia para me defender de ausência de assunto – pensei nisso, mas vá, dosear não faz o meu género. Agora tenho que espevitar e escrever qualquer coisa. Escrever a metro – o horror, a tragédia. És uma incontinente verbal – bom, verbal não, ou melhor, também. És uma incontinente escrita.
Poderia divagar sobre as notícias nacionais, mas é melhor não, ainda apanho mais uma daquelas delirantes referências dos baronetes dos partidos políticos, jornais e televisões e dá-me uma coisinha má, partindo para a fúria. É deixar passar mais algum tempo. É deixar que pousem. Afinal de contas, já assististe a vários momentos de excitação frenética no vulgar mundinho político cá do burgo e vais adivinhando bem como tudo acaba: no contar de cabeças, os tachos no partido, outros nas entidades públicas, académicas e culturais – por falar nisso até sabes o nome do futuro Ministro da Cultura na hipótese B, anda a trabalhar para isso há anos, o ilustre – há momentos em que a história se repete sendo tudo previsível, só havendo necessidade de trocar os nomes e apelidos dos cromos. E, claro, mais uns ajustes nos recursos humanos dos jornais e televisões. Ah, quanta empolgação. O resto do país esse - para além deste punhado de gente que manda e desmanda nos destinos nacionais como se isto fosse uma quintinha para brincar aos cowboys -, continuará na mesma, como a lesma.
Bates na mesma tecla, ciente de te saberes inconveniente e chata. Não jogas com o baralho todo – resumem, é mais prático assim - num mundo de gente tão certa, conveniente e sedutora – tão sábia e lúcida. Não tens dúvida nenhuma que serão sempre eles na posse dos trunfos e das melhores mãos. É assim que tem de ser. A ti compete sempre e repetidamente segurar o espelho para que se vejam nele e babem de vaidade até ao vómito. Cada macaco no seu galho: a ti compete qual ferroviária indiferenciada, mudar a agulha da linha para ir desviando os comboios à hora certa e minorar os estragos feitos pelos insignes sapientes.