É assim que muitos se sentem com frequência: devo concordar ou não concordar?, digo sim ou não?, gosto ou não gosto?
É natural que se veja falha grave nesta eterna hesitação, achando a dificuldade em definir posições prova de deficiente inteligência. Há quem vá mais longe e ache que se trata de uma falha de carácter: falta de personalidade. Ou considere simples cobardia e vontade de agradar a todos, necessidade de aprovação. Os muito afirmativos e convictos colhem mais simpatia.
É sem dúvida um handicap importante no caso de pessoas com responsabilidades profissionais a quem é pedido que decidam. Além de poder complicar as relações pessoais onde a todo o instante é preciso optar por soluções ou caminhos diferentes.
O que poucos reparam é que esses mesmos eternos indecisos são em muitos casos os que ponderam mais factores e condições envolvidas em cada situação. Os mais conscientes.
O bloqueio temporário sobre a decisão está muitas vezes ligado ao perfeccionismo, à vontade de não errar, ao receio de ser injusto. Ainda que o resultado visível pareça o mais longe possível da perfeição, dando amiúde a ideia de atabalhoamento (de atrapalhação) e a tal imagem de necessidade de aprovação.
Tentar ser correcto tem um preço elevado: pelo menos o de dar a ideia de eterno desnorte.