Andei por aí a espreitar leituras ressessas e mais uma vez constatei o quão deplorável é colocar a cultura e a erudição ao serviço da chicana política, com a cumplicidade e o aplauso dos impostores e gananciosos do costume. Não mudam, nem aprendem, apesar de sempre se fazerem passar por sábios.
É caricato constatar o recurso ao acervo de arte para fazendo contorcionismo argumentativo ilustrar alegados vícios dos malquistos ou adversários, ao mesmo tempo que se recusa a visão do logro ao espelho.
Além das citações de passagens dos clássicos da literatura ou da Bíblia, usam também a memória das artes plásticas no intuito de distorcer a realidade até convencer o público da propaganda do regime - regime que não é de esquerda ou direita, mas apenas dos bem instalados não à custa do mérito, mas das relações interessadas.
Já não chegava a pobreza de mundo artístico parcialmente pífio, feito de uma mexurufada de cultura, lugares-comuns e agenda de mentalização para as virtudes das marés, verifica-se também que o acesso ao conhecimento resultante de maior instrução da população é transformado em propaganda pelos paladinos do regime.