Ontem à noite ia escrever um postal, mas o sono falou mais alto. Teria sido qualquer coisa como isto: esta coisa da pandemia mexeu com os pirolitos de quase todos. Com o meus certamente, mas ao que vejo é geral. E quanto mais séria e carregada de formalismos, convicção e certeza é a expressão de opinião alheia, mais reserva tenho quanto ao acerto dos juízos feitos. Andam por aí várias panelas de pressão ambulantes.
Nos jornais nem é preciso abrir as notícias para dar com o desnorte: os títulos deixaram de ser apelativos para serem tão só excitados. Nalguns a redacção é tão má que perdem o sentido.
Nas conversas pessoais e profissionais nota-se acumulação de ansiedade a níveis raramente vistos, ou naqueles que já deram a volta: relaxe total e inconsequente.
Face à evidência de que vamos enfrentar uma nova vaga de Covid com as consequências inerentes, andamos como no último Inverno a fazer se conta que está tudo bem. À espera de um milagre.
Na política a argumentação resume-se assumidamente a sound bites – e já estou por tudo, nem sei que será mau, desde que expressem alguma verdade.
E nas Comezinhas dei eco da extrema-direita espanhola. André Ventura é um menino perto disto.