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25/11/2021

Recapitulando

A única forma de conseguir algo (escrevi algo?, escrevi algo?, céus) positivo e consistente é persistindo, não desistindo do que se considera correcto e justo para o país. Nem que pareça tontinha de todo, hei-de continuar a bater nas mesmas teclas. E quanto mais obstáculos encontrar e com desdém me deparar, mais insistirei. Por saber que só não deixando cair os assuntos nos enredos habituais que servem pouco mais do que para manter o país no atraso conveniente a uma pequena minoria, se pode ser justo com a maioria. Em matérias como a dos baixos salários temos que contar sempre com a inefável tirada “ah, todos queríamos salários mais altos, mas…” esta fingida abordagem serve um propósito: enganar papalvos.


Sempre temos os peritos em enredar-se em argumentações de grande ciência (económica, social ou política) que pouco mais fazem do que abortar qualquer tentativa de mudar para melhor as condições de vida dos portugueses. Há sempre argumentos infalíveis que provam por A+B que a solução, a bem do país – sempre na aparência de ser a bem do país, quando se trata apenas de perpectuar interesses pessoais e egoístas - a solução, dizia, não é tão simples: ter-se-á que ter em linha de conta 34 outros factores de inquestionável pertinência e qualquer um que não os enumere e disserte longamente sobre eles (apesar de os já ter ponderado) e esmiúce cada um de preferência com referência ao nome de meia-dúzia de autores e obras de aturado estudo (algumas de amigos do peito, é sabido que as luminárias têm no mínimo 97 amigos de grande intimidade) é considerado pouco mais do que imbecil, e sempre descredibilizado com o rótulo de simplório, ignorante ou populista.


Este é o método infalível para fazer cair qualquer melhoria no país. Qualquer laivo de tentativa de tirar o país do lodo ancestral esbarra nestas luminárias, nestes piolhos em camisa lavada  que atravessam as décadas, os séculos sempre de bicos de pés esticados no intuito de abancar nos privilégios de onde podem finalmente desdenhar dos ignorantes – cada época tem os seus ascendidos: os de hoje opinam no Twitter, na televisão, nos jornais, lado a lado com gente respeitável, a quem tentam mimetizar os tiques e não, infelizmente, o hábito de ter consideração pelos outros.


Quando os despautérios, as incongruências, as desonestidades, as injustiças são patentes é escusado continuar a dar crédito a que não tem  senão na aparência a menor intenção de os combater. A especulação imobiliária e os salários baixos são assunto de crucial importância para a vida dos portugueses e é fácil ver o que é certo e errado, sem mais enredos.


*


O bê-á-bá


por Isabel Paulos, em 12.05.21



 


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Perguntar não ofende.


Explique-me quem puder, como é possível aceitar viver pacificamente num país onde 60% dos trabalhadores por conta de outrem têm salários iguais ou menores a 800 euros mensais, sabendo que:



  •  o preço médio das casas é de 1.942€ m2 - para que fique claro aos distraídos: 194.200 euros por imóvel de 100m2 -, sendo que um empréstimo junto da banca no valor de 174.000 euros (o máximo concedido para o valor de referência) representaria uma prestação mensal na ordem dos 485 euros mensais a 40 anos - ou de 840 euros a 20 anos.

  • no empréstimo para compra de automóvel de 18.000 euros o valor mensal a pagar seria de 370 euros mês por 5 anos.


Muito agradecida.



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