Insistir em ser justo, vendo a realidade pelos diversos pontos de vista e fazendo cedências quando se considera que há críticas que fazem sentido pode ser uma tarefa esgotante quando nos deparamos com o comentário de algibeira que pulula nas televisões, nos jornais e nos blogues. Ontem assim que se souberam os resultados da eleição no PSD comecei a ver repórteres a falar na escassa diferença de votos. Hoje dei pela já expectável crítica à falta de um discurso unificador por parte de Rui Rio.
Isto depois de quatro anos de poderosa campanha anti-Rio nos jornais e debates televisivos. A permanente desconsideração. A incapacidade de perceber o que é o interesse público e o que são as mera manhas e artimanhas da politiquice com que somos brindados todos os dias pelos jornalistas, comentadores e blogueres com maior visibilidade.
Quando há quatro anos me comecei a irritar com os comentários da televisão de puro desdém e sobranceria sobre um político que tem mostrado uma correcção invulgar neste país onde estar na política costuma ser sinónimo de falta de lisura, imaginei sempre que os detractores de Rui Rio mais tarde ou mais cedo iriam ter que engolir em seco. Mas não, a desfaçatez é enorme, continuam impantes na intriga habitual, sempre a fazerem-se passar por moderados, por grandes democratas. Sempre com argumentos que têm a aparência da verdade. Mas não passam de artimanhas trabalhadas diariamente para descredibilizar a liderança de um dos poucos políticos que merece confiança - não estão habituados a gente digna, de tanto chafurdar nos amigos dos interesses. Quem querem defender? Os amiguinhos passistas? Os que tentaram minar por dentro a afirmação de Rui Rio como líder do partido? Os amiguinhos do Twitter influenciadores de opinião cujas referências mútuas e encosto permanente para singrar profissionalmente e em sociedade à custa da bazófia e das relações interessadas são o modo de vida?
Unidade, dizem agora. Caça ao tacho é o que traduz essa vontade tardia de unidade.
Ao longo dos tempos sempre fiz críticas a Rui Rio, quando considerei justas. Nunca vi – até ontem - esta gente das televisões, dos jornais, dos blogues, do Twitter reconhecer qualidades e apoiar as medidas justas que propôs. Sabotam sempre, ainda que pensem como Rui Rio numa ou outra situação, a vontade de ajudar os amiguinhos e a si próprio a ascender aos lugarzitos que almejam, não permite que reconheçam publicamente a bondade das medidas. Sonham com um distribuidor de regalias e privilégios à frente do PSD. Claro que nos discursos dissimulam, falam em falta de oposição, em fraqueza. Rebaixam Rui Rio constantemente, tratando-o como um subalterno de António Costa - que parecem idolatrar, tais são os elogios constantes à sua sagacidade política, i. é, à sua intrujice. Faz parte da mundividência desta gente: é este o pobre mundo de ardil e a preto e branco que vêem. Habituados a ser muito corajosos em gang, nada sabem sobre a solidão de ter a razão consigo.
Enchem a boca para falar de facciosismo, mas falam e agem sempre como adeptos de clubes de futebol. Têm linguagem de claque, nunca reconhecem o mérito àqueles que elegem como adversários. Sendo que o adversário neste caso é aliás um companheiro de partido, porque a maioria desta gente votaria PSD se isso lhe garantisse uma melhor saída profissional, ou aos familiares, ou aos amigos. Ou PS, a esta gente tanto faz votar PSD como PS, desde que esteja segura.
Felizmente os portugueses não pensam como estas medíocres elites de trazer por casa. O sentimento do país nada tem a ver com a voz desta gente que o tenta corromper. Quero acreditar que a 30 de Janeiro os portugueses possam mostrar a estes ilustres fazedores de opinião da treta que em Portugal mandam os portugueses e não os interesses de uma pandilha de amigos gananciosos.