O fenómeno da manipulação da opinião disseminou-se por todas as áreas: desde a política à pseudo-literatura. Criam-se personagens que tragam um discurso de ódio - espoletem reacções inflamadas e assustadas com o radicalismo criado ficcionalmente. A ideia é colocar esse discurso de raiva na boca de uma mulher ou de um oponente político para os descredibilizar. Apoucar o feminismo ou qualquer tendência ideológica que os denuncie mediante a criação de pseudónimos, e se possível ganhar dinheiro com isso, ao mesmo tempo que sob o nome verdadeiro se passa a imagem de rigor e isenção. De moderação.
A outra face - a face real - que não se vê nessa gente que está por trás dos pseudónimos - e, ao contrário dos heterónimos de Fernando Pessoa, nada tem a ver com arte e literatura - são os vícios de gente perturbada e rasca nas suas relações reais: as mentiras sucessivas, os artifícios, as cobardias, os ataques de raiva, os ciúmes doentios, as obsessões anti femininas, a crença troglodita num mundo obscuro de ultra-direita, que disfarçam e condenam quando usam em público os nomes próprios e apelidos.
Há uns dias um amigo disse-me que pressente um retorno medieval. Não cheguei a dizer que antevejo o mesmo.