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01/11/2021

Dia Santo

Está a acabar o fim-de-semana prolongado. Este último dia foi muito improdutivo. Ver casas não adianta, tais são os preços. Ler não me apetece. Ver televisão também não, já vi um pedaço ontem e chega. Lá dei uma vista de olhos na varanda, que é o melhor que tenho a fazer. Se as plantas forem deixadas ao acaso mais de uma semana começam a ressentir-se: precisam de mimo e companhia como os bichos, umas das outras ou do nosso. Quanto ao resto não convém falar, só oiço tonterias. É deixá-los cair na ridícula propaganda da televisão e redes sociais a tropeçar nos próprios pés. Ainda pensei fazer a ronda anunciada há dois dias pela imprensa, mas a preguiça falou mais alto.


Enfim, um verdadeiro Domingo, só que à segunda-feira em Dia de Todos os Santos. Podia dedicar-me a falar com os meus mortos, mas falo ao longo do ano, não preciso de um dia para me lembrar deles. Este Dia Santo transforma-se, assim, num verdadeiro feriado.


Ainda sou do tempo em que se corrigia quem dissesse "feriado" referindo-se a um Dia Santo. Do tempo em que se andava com uma pequena agenda na carteira, como todas as informações sobre luas, feriados e dias santos, distâncias entre cidades e países, efemérides, câmbios etc. - enfim, um mini google de bolso.


Calendário.jfif


Bom, vou coscuvilhar o calendário do próximo ano, trazido pela minha mãe, como sempre tem acontecido nos últimos anos. Sempre vi calendários nas casas da minha avó e mãe, e como nestas coisas não invento cumpro rigorosamente a tradição com a antecedência devida. Este ano tem novidades: traz uma fotografia do Porto e dos telhados de Gaia - uma das imagens bonitas que iluminou a minha infância a partir da casa dos meus avós paternos -, tem as bandeiras dos 27 países membros da União Europeia na frente e agenda no verso de cada folha.


Vida comezinha e sem interesse a minha. Uma maçada.