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17/03/2020

Não havia necessidade

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Há quem ache o que escrevo a seguir severo e que dou valor ao que não tem. Mas discordo.


Pode ser um apontamento pequeno, extemporâneo e mais do que tudo massacrante. Mas não resisto. Fui educada por quem não tinha a menor tolerância com certo tipo de menoridades e conversas de mau gosto e reparei que no País há gente que passou vinte anos a contar anedotas de casa de banho para gáudio de uma população incivil. Irrita-me que não se perceba que numa situação de crise o papel higiénico seja uma prioridade.


É certo que há muitos heróis a precisar de espantar o medo e, por isso mesmo, com grande necessidade de apontar o dedo a outros conterrâneos, mas bolas, será que não percebem que é nos momentos de aflição que a questão se coloca? E não percebem que é uma menoridade estar a todo o momento a fazer reparos desse calibre?


Estão tão anestesiados com tantos anos de conversa e anedotas de caca, que acham normal fazer disso o assunto principal das rábulas e críticas. Não há o mínimo pudor.


Soou a diácono remédios, mas que querem, escapuliu-se-me.