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X - A bola azul está lá fora. Tenho que a ir buscar.
Y – Não, a bola é amarela.
X – Está a chover. Quando chove, a bola fica azul.
Y – Isto não é chuva, é orvalho.
X – Seja. Mas é água. É preciso trazê-la para dentro, senão molha-se. Por falar nisto, estou com sede.
Y – Ah, isso acontece sempre que se olha para uma bola azul.
X – Hã? Então já é azul, não dizias que era amarela?
Y – Eu? Estou é preocupado com o facto da bola azul ter ficado tanto tempo fora. É um risco desnecessário. Ninguém se preocupou. É sempre a mesma coisa neste País. Já as confusões da Primeira República deram nisto, depois admirem-se que o populismo floresça. Não estás a perceber nada. É que as propriedades do material sintético com coloração azul fazem com que seja muito sensível à humidade e é urgente recolher a bola. Mas diz-me? Diz-me quem é que trata de resguardar a bola azul? Vai ficar desprotegida. O mexilhão, é sempre o mexilhão que se lixa blá, blá, blá… Estás a ouvir?
X – Estou quase a dormir.
Y – E a bola? Porra!
X – Já a trouxe para dentro há três dias, enquanto peroravas. Boa noite. Amanhã trabalho.
(ficcionado)