
Pode ser que me venha a arrepender do que escrevo agora e que esteja errada, mas discordo dos críticos da directora-geral de Saúde Graça Freitas e da ministra Marta Temido. Antes de se falar em covid-19 tinha grande simpatia pela primeira e antipatia pela segunda. Mantenho a simpatia pela primeira e diminuí a antipatia pela segunda.
São duas mulheres a desempenhar tarefas difíceis: das mais árduas que hoje em dia podemos conceber. Além de tudo mais, contam com dois factores penosos: a incerteza do futuro e necessidade de obedecer e veicular as orientações governativas e comunitárias.
Ao contrário do que dizem a primeira comunica bem, simples e claro. Transmite segurança à população, por mais que os críticos não queiram ver. Errou na avaliação, desvalorizando a gravidade, como errámos quase todos. Dirão: ela tem a responsabilidade, não pode errar. Falso: claro que pode errar. Esperemos que de agora em diante muito menos. Ela e nós e neste 'nós' estão incluídos os que se esqueceram do que achavam há semanas.
A segunda tem uma linguagem horrível, mas acredito que esteja a fazer o melhor possível.