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08/05/2025

Mexerufada à moda antiga

Os que se insurgem contra mentiras da facção A, inventando falsidades para favorecer a facção B. Os mesmos que se mostravam muito indignados com erros da facção B, disfarçam e defendem os da facção A, que contribuem para agravar os mesmos erros. Raramente os problemas reais são enfrentados com verdade. Vale a manipulação e as narrativas para favorecer interesses corporativos e privilegiados de sempre. Cada um berra para seu lado e vale tudo, sobretudo, tiradas e citações da feira de vaidade – exibição de inteligência de algibeira que não serve para compreender a realidade, mas sim para esfregar o ego. A excitação favorece os interesses instalados. Nisto das eleições o que mais enoja é o costumeiro encostar interesseiro a quem está no Governo. Entidades como a SIC e seus assalariados - mas muitos outros na comunicação social, blogs e redes sociais -, encostam agora ao PSD como há dois e três anos privilegiavam o PS. A ideia é estar sempre com o poder. Sempre do lado de quem está no poder aproveitando os ventos favoráveis. Oportunismo puro. Os sempre em pé.


Não interessa nada, o que não funciona vai continuar a não funcionar, a injustiça vai continuar a imperar. Convém é tratar do umbigo. Se não posso contar com um país decente, devo sim resolver o que há a resolver na minha vida. Agora está instalada a anemia. Real e efectiva, não apenas deficiência de ferro. Anemia declarada acrescida de desregulação da hormona da tiróide, ou melhor, desajuste no comprimido que a substitui, o que gera um cansaço enorme. Tive hoje indicação para ajustar a medicação. Tudo quanto explica uma certa queda no último ano para aquilo em que nunca tive tendência para cair: desânimo. Não preciso encontrar explicações de ordem psicológica. A falta de força e o sono excessivo são físicos, palpáveis. O que interessa é que devo aplacar a coisa com as doses industriais de químicos e vitaminas que tomo para não continuar estafada. É assim a vida de quem cai no colo vicioso da “saúde”.


Ah e tal, não nos devemos queixar. Temos de ser positivos. Todos temos problemas. Queixume. Raio partam os gurus da treta e os bitaites palermas. O que me leva a pensar sobre a verdade na escrita em contraposição com a aparência. Dar a imagem de forte, reservada, discreta. Tudo muito recomendável, tudo provas inteligência civilizada. Ou tão só mentira conveniente ao mesmo tempo que se usa e abusa dos outros através da falsidade e manipulação. Fartinha de gente fria, calculista e dissimulada. Houvesse alguma justiça no mundo e as máscaras cairiam e as pulhices seriam expostas.


Não é nada sexy falar de doenças, nem fazer reparos genéricos à falsidade e desonestidade. Que maçada, sofro tanto. Melhores dias virão. 


*


Bem sei que o primeiro parágrafo assemelha-se a um lugar-comum, a generalidade, só faltou "o que eles querem é poleiro". Mas quando se toma consciência do que nos rodeia e se vê o mundo do lado de fora, é isso mesmo que sobra; o resto são apenas devaneios e esmiuçares argumentativos mais ou menos excitados, mais ou menos intelectualizados para mostrar verborreia, sapiência e "razão". Tão longe dela estão os dos floretes argumentativos. Antes a voz popular. Quando se toma consciência do que nos rodeia, perde-se a vontade de impressionar, argumentar e querer à fina força "ter razão"; perde-se o impetozinho de dar imagem de preparada ou instruída. Outras vidas, outras ambições.


Hoje o mundo passa frente aos meus olhos absortos no vazio como se postos numa tela de cinema de um filme sem grande interesse.