Depois de passar os olhos pelas parangonas do Jornal de Notícias, The Guardian, Público e Observador, volto à concha para agendar. O que está a flutuar ainda sem as palavras certas e estruturadas?
A forma com se está no mundo: na busca do equilíbrio comum e justo ou a cavalgar a onda para beneficiar o umbigo. A primeira forma exige reflexão e justeza, a segunda é habitada por larápios que usam o talento alheio para distorcer e manipular o discurso em prol do egoísmo, das audiências e do protagonismo - a fazer charme para aceder aos corredores do poder ou lá se manter. Fazer boa figura à custa da competência e inteligência alheia. A primeira exige coragem na solitude, a segunda costuma atacar de modo cobarde e embusteiro quem é independente para impor a lei da força dos grupelhos.
O modo replicador no espaço público prejudica o interesse comum. Disseminam-se ideias sem qualquer crivo de verdade, apenas por moda. Chavões atraentes ditos pelos protagonistas com maior visibilidade na comunicação social são replicados à exaustão online. Não interessa pensar, interessa copiar os argumentos atraentes para encostar à tribo que dá acesso às audiências e ao poder.
Ou plagiar os argumentos contrários, distorcendo e manipulando a linguagem de modo a caçar o talento do adversário para o pôr ao serviço da própria ganância e falta de carácter.
Menos perigosos do que estes ardilosos e inescrupulosos são os que vão vivendo de modo fácil fazendo resumos de tudo quanto é dito com melhor aceitação pela maioria, produzindo súmulas como se fossem a sua opinião, como se resultassem de pensamento próprio. Neste último caso, não vem especial mal ao mundo.
Já o caso da distorção e manipulação para prejudicar uns em beneficio de outros são nocivas, tanto mais que quem tem esse vício raramente prossegue o bem comum.
E ficam assim os tópicos um tanto mal amanhados para desenvolver um dia, quem sabe.
(nota: não consegui pôr a imagem habitual do cérebro azul fluorescente; ficará para mais tarde.)