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22/05/2025

Escolhas

Independentemente do que os outros possam pensar, há momentos em que me penalizo por criticar demais. Como se me acusasse de minar o sucesso benigno à minha volta. Isto é, temo ser injusta e prejudicar. Porém, se for menos hesitante e insegura compreendo que há razões mais do que válidas para a forma como avalio negativamente muito do que me rodeia e como é notória a melhoria da qualidade do ar quando as redes de influência viciadas retraem com medo de ser expostas. Quanto menos poder tiverem as matilhas instaladas de trocas de favor e a mentalidade reacionária mais o talento despertará e mais fácil será a cada um vingar pelo real valor. Haverá menos palco para encostados de sucesso e mais espaço para os que valem por si.


São escolhas. Podia aproveitar a vaga de retrocessos civilizacionais, fingir que não vejo e tirar partido pondo-me a jeito, mas não faz o meu género. O que mais há é gente a esfregar as mãos de contente, demarcando-se dos populistas só para inglês ver, já que comungam do ideário ultra-conservador. Tudo fazem para esmagar qualquer voz contrária à seita de extrema-direita que se dissemina pelo mundo. Não é com certeza no intuito de proteger a democracia liberal que agitam como bandeirinha sem valor real. Estão muito simplesmente a preparar terreno para dar o salto e continuar a desenvolver as redes de interesses no próximo regime. Estão a preparar o seu futuro egoísta. Como prepararam há cinquenta anos, para se manterem sempre à superfície, sempre de bem com quem ganha.


Vale a pena ficar com o odioso. Ser muito aborrecida e insistente. Vale a pena lutar pelo merecimento em função dos reais predicados – os que não resultam artificialmente do compadrio e de discursos e acções corrompidos por interesses mesquinhos e traiçoeiros. Todos quantos têm valor saem beneficiados. Só sai a perder quem manipula e corrompe para aceder ou manter-se no poder a qualquer custo.