Dos mais "antigos", apenas dois.
- Le Meilleur de Ennio Morricone - Les Plus Belles Musiques de Films, de 04 Junho 2020.
- Gonçalo Fernandes, de 13 Setembro 2021.
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Bem sei que a maravilha é tal que não devia estragar com azedume. Mas é mais forte do que eu. Não critico a pretensão ao acaso. O facto de se pretender dar uma imagem do que não se é ou mostrar conhecimento que não se tem atirando em poucas linhas ou curtas falas resmas nomes de autores, obras, lugares visitados em viagem, pratos exóticos, compositores, álbuns ou o quer que seja como quem puxa de trunfos de poker denota gente a léguas da sabedoria e da educação por mais as tente impingir a quem passa. O mesmo vale para quem a propósito ou despropósito não perde uma oportunidade para sacar de uma referência aparentemente culta no intuito de desprezar por comparação pobres ignorantes ou parolos. Quanto mais perto da ignorância e da grosseria de dedinho no ar mais praticam este desporto. Fazem lembrar as vitrines antigas e concorrem com as antigas cristaleiras de salas pirosas.
Não há espaço para mastigar, saborear, olhar, escutar tanta é a quinquilharia. Não há ar nem espaço para compreender a razão, beleza e expressão do mundo. A arte.
Se o provincianismo citadino, moderninho, sofisticado, actualíssimo, diplomado, viajado e deslumbrado nos clichés da erudição prevalece, só há lugar para exibição de arrogância disfarçada de engraçadismo e sarcasmo, só sobra pequenez de espírito.
E quão longe deste mundo pobre de espírito estava Ennio Morricone, que merece mais do que ser medido por catálogos e desprezado se ouvido em best of. Quão longe da pequenez estão os versos e as barbas de 20 mil anos do ancião de Gonçalo Fernandes, que não conheço além deste livro e encontrei por acaso numa prateleira vulgar e, felizmente, não numa das muitas estantes vitrine que vejo diariamente expostas no mundo online como vi na meninice em gente bastante menos culta e erudita do que se imaginava e dizia.
A escolha dos posts de hoje é uma agulha no palheiro. A propósito: encontram bons versos por aí neste imenso mundo online, em casas sem visitas, sem menções nem comentários (graças a Deus) e desdenhadas por quem pretensamente deveria perceber da poda. Boa prosa também. Não esperem é encontrá-la em vitrines supostamente mais sofisticadas e atraentes ou cristaleiras vistosas e pirosas com rótulo de "a melhor prosa" ou "os melhores versos" e sempre muito publicitadas. Não encontrarão, aí descobrirão engodo.
Bom dia.
E desculpem o desagradável, bem sei que estas antipatias são maçadoras e não vendem. Falta a dose diária da gracinha fácil como droga de anestesia da realidade. Hoje foi assim, há assuntos que merecem mais seriedade do que parece à primeira vista. Amanhã já posso virar novamente para a gargalhada. Amanhã? Qual quê? Daqui a meia-hora.