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04/09/2023

Mais uma conversa com os meus botões

Gostava de escrever acerca de formigas (este tem sido um ano pródigo em formigas, tenho a varanda pejada delas), sobre a próxima rubrica de Sábado com a ajuda do Nuno, que ando a congeminar (já me disseram que não me excedesse em tarefas, que estou pelas costuras; mas não há como contrariar a vontade) e acerca dos benefícios dos quebra-cabeças e exercícios de memória na terceira idade (e em gente mais nova também), porém não tenho tempo. Ao que parece, devo trabalhar – é para isso que me pagam.


Fica esta agenda, a juntar à última. O que interessa é impor-me tarefas que dêem gozo, o conseguir ou não realizar são outros quinhentos, como dizem os brasileiros. 


Não, não esqueci as Tílias, nem outras muitas promessas. Parecendo que não, e como quem não quer a coisa, até vou cumprindo algumas, mas como dizia a Eca: não tenho quatro mãos.


E como não resisto, deixo em seguida um comentário desagradável para estragar o postal. Dizendo aquilo que nunca se expõe por ser de todo desaconselhável.


Não há como ser adorável e dizer banalidades para ser benquisto - sinto sempre interesse nos momentos em sou "fofinha". Agora, nada de esperar companhia ao enfrentar as velhacarias da vida, aí o juízo alheio é quase sempre de assobio para o ar, de desconfiança ou tédio - creio aliás que muitos não fazem distinção do meu criticismo de um qualquer desabafo de uma chanfrada. Muito conveniente. A vida ensinou-me cedo que os elogios precoces e fáceis bem podem ser compatíveis com o deixar morrer na sarjeta os louvados, se estes se mostrarem realistas e inconvenientes para os poderes podres instalados ou as pequenas falsidades colectivas. É bom manter estes exercícios de odioso para continuar situada e não me deixar enganar - tal como os quebra-cabeças, ajudam na lucidez.


O último parágrafo soa a ingratidão? Pois, não é. Num tempo em que o esoterismo disseminou a ideia do benefício da gratidão, é bom que se compreenda que exercer a gratidão não pode ser uma moda de soltar frases "fofinhas" pelos mais modestos para angariar clientela ou agradecimentos oportunistas pelos mais sofisticados no intuito de obter credibilidade. É-se grato por se sentir reconhecido pela ajuda de que se beneficiou, não pela vantagem que da sua exibição se venha a obter.


Boa semana.