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27/09/2023

Diário

Ontem comecei o dia por ir aos correios levantar a encomenda da Wook. Havia feito o pedido na semana passada e como vem sendo costume o funcionário dos CTT encarregue da entrega fez de conta que tocou a campainha dando essa informação à empresa, não fazendo o serviço. O Nuno estava atento à hora da entrega e não tocaram. O costume. Os funcionários de empresas como os CTT ou a CP fazem o que me entendem e temos de estar sujeitos à natureza, feitio e seriedade de cada um. Na semana anterior a funcionária que vendeu ao telefone os bilhetes de comboio iniciou a chamada com um suspiro de tédio e assim continuou toda a chamada - sempre com tom de voz de frete. Ao menos não cancelou os bilhetes de revanche como uma colega sua numa viagem anterior, colocando-nos da situação de estar sentados em lugares pagos para os quais foram vendidos bilhetes a outros passageiros em duplicado - Portugal no seu melhor. A desonestidade, incompetência e labreguice de alguns a prejudicar o todo. Nós pagamos, eles fazem greve e o que querem e os políticos, comentadores e jornalistas da situação dizem que os coitados dos trabalhadores - os que tem voz e condicionam a opinião pública através dos megafones - têm as suas razões. Quem não tem razão é quem paga e não bufa. 


De maneira que fui levantar os quatro livros de presente da minha sobrinha, que fez aniversário no mês passado e como foi passarinhar só agora foi presenteada com parte da longa lista de preferências de livros que ela e a mãe têm nas plataformas digitais. Só facilita a vida a quem quer presenteá-las. Telefonou-me ao fim do dia a agradecer. Gostei do tom de voz. Sendo bastante contida, trazia na voz a alegria de quem está a adorar os primeiros dias na faculdade. Disse o que me soou a música, quando fiz notar que gostava daquela animação sobre a faculdade: tia, agora só tenho o que gosto. Ah, alegria. Tudo quanto de mais desejável se quer ouvir a quem acabou de fazer 18 anos. Além de mais já conhecia a instituição académica e vários alunos mais velhos, e leva do liceu alguns amigos. Só boas coisas.


Recebi a chamada da Abreu a confirmar que já está pronta a documentação da viagem à Turquia. E tive mais um dia de muito trabalho, pelo que decidi dar um basta (à moda dos brasileiros) nos excessos. Noutros, já que comecei pelo tempo em demasia aqui no blogue: quando de portas abertas exige-me atenção que neste momento não devo conceder. Também profissionalmente resolvi que bastava. Falei com uma colega e a chefia explicando que estou com tarefas a mais para quem está a trabalhar a meio tempo. Nas últimas semanas ocupavam-me o dia quase inteiro acabando por prejudicar o tempo útil para a empresa base. E sobretudo consumia-me tempo importante capaz de prejudicar a saúde. Como nem tudo é perfeito perdi competências que me agradavam mais do que as que me permanecem confiadas, mas há que fazer renúncias. Assim, a partir de hoje, salvo meia-dúzia de dias os meses serão pacíficos até que se dê o movimento previsto há muito, e que não posso divulgar, nessa segunda empresa para a qual presto serviços. Movimento que implicará o muito possível termo da minha prestação de serviços. Ou não, sabe-se lá o que reserva o futuro. O certo é que não estou virada para grandes aventuras nem rasgos neste domínio.


Noutros campos talvez me venha o rasgo. Dois, a saber. A escrita. Está tudo parado até em planos, salvo este diário contínuo. A minha mioleira precisa descansar para avançar depois. Era bom conseguir ficção. Agora já não é uma questão de preguiça, mas de ânimo, concentração, reconstrução da memória e talento. A carta de condução. O enguiço dos enguiços na minha vida. E é com receio que registo isto aqui. É vergonhoso voltar a tocar no assunto antes de resolvê-lo em definitivo. A ver vamos se depois de vir da Turquia tenho juízo, leio finalmente a merda do código de estrada e me disponho a inscrever e assistir às soporíferas aulas de código e mais tarde de condução. Essa sim, seria uma enorme vitória na minha vida, por mais comezinha pareça a quase todos. Tanto se resolveria depois de desfeito este enguiço. Tanto. Podia fazer um desafio a mim mesma. Só reabrir o blogue depois de carta tirada, carro comprado e primeira pequena viagem a conduzir feita. Isso sim, seria grande ideia. Um desafio.


Ontem a I. enviou email a perguntar pelo fecho do blogue. Expliquei o precisar de descansar e contei que tenciono regressar daqui a meses. Pedi que me fosse contando coisas. Hoje também recebi email do M. L. a perguntar pelo fecho. Disse-lhe que voltarei mais tarde.


Hoje a caminho do trabalho fiz um percurso diferente a pé. Em vez de fazer Serpa Pinto em direcção à Ramada Alta e descer N. S. de Fátima, desci a Constituição, aproveitei para ir espreitar a evolução da última casa na modesta rua Freire de Andrade (meu ilustre antepassado; era engraçado acabar por comprar lá casa - estão a fazer a última, esta com garagem, mas também sem jardim, apenas pátio -, afinal chegámos à conclusão que podíamos comprar a que está à venda e fomos visitar há meses, mas seria estúpido em termos financeiros) tudo para vir pela Avenida de França, que essa ao menos tem árvores, o que sempre dá alguma alegria à pequena caminhada, pese embora a confusão das obras do metro.