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28/09/2023

Madrugada azeda

São cinco e vinte e um. Estou acordada desde as três e picos porque me deitei cedo. E vim dar o giro habitual de leitura e cusquice. Daqui a nada volto para a cama ver se durmo mais uma horita para não cabecear na empresa após almoço.


Agora acontece com frequência ficar em branco naquilo que quero escrever imediatamente a seguir às intenções delineadas. Fogem-me as ideias. Hum, creio que uma era esta (qual? céus?, isto assim é tão custoso, sempre este fluxo interrompido pelas ausências). Ah, é isto. A pretensão do alheamento me permitir um certo traço próprio ou cunho. Muito do que leio está ancorado (palavra usada pelas bruxas) na actualidade. Mesmo prevendo que muito do que se escreve hoje em dia se salve como fonte de prova de vida quotidiana, a maioria dos testemunhos não fogem ao pré-estabelecido como verdades fáceis e ilusórias do tempo. Sei que também sou permeável às ditas, sucede que a loucura assumida (sim, usei a palavra) me permite desligar daquilo a que se convencionou chamar factos, realidade. Digamos que permite uma maior consciência. Mais independência. Em tudo há vantagens.


Há quem diga que faz limonadas por só ter limões como mero recurso a retórica fácil e para se fazer valer. E há quem esprema os limões para a língua para ajudar nas digestões difíceis e enjoos. É desagradável dizer isto, mas há diferença. Tenho dificuldade em perdoar a desonestidade e a mentira para enaltecimento próprio, tal como a ofensa gratuita. Detesto gente que pisa em agredidos para fazer figura junto de agressores. Especialmente, odeio espécimes do sexo feminino que sendo medíocres vivem da aparência, da presunção de sabedoria, do exibicionismo de escaparate, e sempre tentam humilhar e descredibilizar mulheres de real valor para fazerem figura (de urso), agradarem e conquistarem benesses e a simpatia de paspalhos levianos que não respeitam a mulher. Não é um sentimento bonito, mas começo a desejar-lhes mal, a umas e outros. É a forma que me resta de repôr alguma justiça no mundo. Sei que se me explicasse mais me diriam que estava a ser ingénua, a acreditar em falsas agredidas. Ingénua é a puta que os pariu a todos, a maior das agressoras que continua a educar os filhos e as filhas a desrespeitar as mulheres e a julgar todo o insulto gratuito e a injúria muito legítimos, e ridículos e pouco sofisticados ou inteligentes os que não se sujeitam às agressões. À semelhança dos cabrões que vivem a tentar estragar a vida alheia, a elogiar e a idolatrar canalhas. As cabras asnas presumidas e os asnos cabrões muito cheios de si - esses sim merecem ser insultados até aprenderem a respeitar o outro.


Hei-de dar-lhes no focinho até morrer. Sozinha. Sem amparo de jogos de interesse. Sem criar redes de maledicência dissimulada de costas quentes como é habitual entre cobardes que se dizem muito corajosos. Hei-de foder-lhes o juízo até ao tutano. Aos filhos e filhas da puta. Como sempre. Desde sempre. Assim não faço boas relações nem arranjo bons tachos, nem tenho audiência nem vendo o que escrevo, nem enriqueço. Isso preocupa-me muito. Uma maçada.