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25/10/2023

Viagem à Turquia II

O primeiro dia.


A chegada à noite ao aeroporto de Istambul foi atribulada por não termos a informação que estariam à nossa espera no lado de fora do edifício junto à porta 8. Mais tarde verificámos também que no nosso caso não facultaram o folheto dos passeios opcionais – acabei por fotografar a folhita de outra participante do grupo.


Na manhã do dia seguinte, 7 de Outubro, atravessámos de autocarro a Ponte Gálata e fizemos o passeio por Istambul clássico, visitando o Palácio de Topkapi, centro do Império Otomano, residência oficial dos sultões por quatro séculos, com magníficas varandas sobre o estreito do Bósforo e Mar da Mármara. Pudemos visitar a curiosa grande cozinha e zona adjacente que serviu de prisão. Mobiliário, porcelana, trajes e jóias – o destaque banal nestas visitas vai para o diamante de 88 quilates. Todavia, ali a jóia de maior valor é a varanda.


Seguimos para as intermináveis filas das mesquitas, que havíamos evitado antes da visita ao Palácio de Topkapi. Assistimos ao longo do dia ao impressionante chamamento para algumas das cinco orações diárias a partir dos minaretes das mesquitas, o que arrepiou o Nuno. Começamos por Santa Sofia, obra-prima do Império Bizantino, construída no tempo de Justiniano no século VI para ser a Catedral de Constantinopla. Foi igreja durante 900 anos, até ser tomada pelo Império Otomano em 1453 e transformada em mesquita. Situação revertida em 1935 por Atatürk. Em 2020 foi convertida em mesquita de novo por Erdoğan.


Seguiu-se a deslumbrante Mesquita Azul de seis minaretes – o número de torres de uma mesquita é proporcional à sua importância - onde pude regalar os olhos com toda a beleza característica do Próximo Oriente. Antes de entrarmos, enquanto aguardávamos a reabertura, tive oportunidade de assistir às abluções dos muçulmanos: vi-os descalçar e lavar de pés, braços, mãos e rosto antes da oração, não na fonte central – com certeza distraí-me-, mas junto à parede lateral. O interior – contra a informação que ouvi – é de cortar a respiração, atenta a beleza e luminosidade do jogo arquitectónico das paredes, colunas e várias abóbadas ornamentadas com deslumbrante desenho de azulejos Iznik. Não tenho memória de ter visto edifícios de tamanha inspiração no belo. Entrando descalça, conforme as regras, usei nas duas mesquitas a bonita echarpe - que a minha mãe usa de modo corrente em dias de Verão  -, de tecido branco e fino bordada à máquina a pequenos corações azuis. Condizente.


As visitas do dia terminaram no Grande Bazar. Nas várias ruas paralelas e perpendiculares deste mercado coberto destaca-se a diversidade colorida e rica de lojas de tapetes, joalharia, doces, especiarias, lenços e candeeiros etc.. Comprei pequeníssimas caixas de doces folhados com noz para trazer para os os meus pais e sogros e enteada - para ela trouxe também o porta-chaves da praxe. Experimentei perguntar o preço de uma echarpe. Pediram-me 400 liras turcas e quando testei o preço em euros, apontaram 170 – isto para ter uma noção de como lá se tenta fazer negócio, sabendo que um euro corresponde a 29 liras. Despedi-me com toda a delicadeza zarpando ligeira, mas poderia ter pago as 400 liras turcas (13,50€) se tivesse sido capaz de fazer as contas no próprio momento.


Ao jantar já tinha assentado melhor no câmbio, mas ainda me senti insegura quando num restaurante perto do hotel nos trouxeram diversas entradas com saladas e patés, antes de nos servirem um excelente kebab de carne picada acompanhado de folhas de massa fina. Receosa dos gastos prescindi de sobremesa e café, mas não nos deixaram sair de lá – um dos locais onde foram mais simpáticos -, sem a oferta de um prato de fruta com dois garfos e dois Churchill com limão, bebida refrescante. Não pude deixar de recordar as pindéricas reportagens da televisão portuguesa sobre a contabilidade dos comerciantes da restauração com a despesa da lavagem de talheres e pratos no caso de divisão de doses. Fazem-me sempre lembrar a única vez que pedi escusa na curta experiência como advogada ao deparar-me com uma mulher no meu escritório a querer discutir divisão de turcos com o ex-marido – curiosa coincidência de vocábulos nesta altura do campeonato. Disputar toalhas de rabo não é a minha praia, em definitivo; gostos.


Antes de dormir, tal como na noite anterior, tomámos o Nescafé do quarto - nunca falhámos fosse a que hora fosse. Por falar nisso, ando mesmo a exagerar na cafeína.


(continua)