Hoje é quinta-feira e reparo que não tenho escrito os habituais diários, notas soltas e mexerufadas. Ando a escrever, apenas à noite atenta a falta de tempo, o relato da viagem à Turquia. Sigo a cronologia das fotografias, o que ajuda a falha de memória. Ao fazê-lo ontem dei por mim a pensar como o deveria ter feito nas viagens do passado - sempre me queixo das pessoas com quem viajei possuírem recordações dessas aventuras que para mim são brancas sobre brancas intervaladas com pequenos flashes de acontecimentos.
Nos últimos dias tenho fotografado algumas refeições, mas não quero encher o blogue de imagens de pratos com alimento. O excesso de comida provoca-me repulsa, tal como desde muito cedo as montras das pastelarias - e aquele cheiro horrível -, que atraem tanta gente. Talvez por isso me aguente pouco tempo em páginas de culinária. E tudo isto apesar de gostar imenso de comer e de comer bem.
O dia de hoje na empresa foi profícuo. Ao contrário das alturas em que face aos problemas intrincados me assusto e fujo da resolução cabal, desde ontem consegui enfrentar cada um deles, passo a passo, resolvendo-os da melhor forma. Como é sabido não vejo nisto especial qualidade ou mérito. Cada vez mais finco a opinião no carácter aleatório das circunstâncias que permitem o êxito. Aquela treta de "o sucesso dá-me imenso trabalho" é muito bonita, dá a sensação de humildade, mas não pode estar mais longe disso. Modéstia é reconhecer a ajuda fortuita na predisposição para trabalhar bem, na sorte de conseguir enfrentar e resolver problemas. O acaso ajuda muito.
Apesar de estarmos a meados de Outubro já dei por mim a pensar no Natal. Face aos gastos excessivos ao longo deste ano, preciso controlar as economias e nada pior do que deixar para a última hora despesas com a época festiva. Sejam os presentes, seja a deslocação a Almada, sejam as reuniões extras e o meu aniversário que abre as hostes. Já fiz as contas a tudo e estabeleci um plafond para Dezembro e não posso desrespeitá-lo. Defini as 12 lembranças a comprar - não só o quê, como o custo - e o tecto, somei o gasto da reunião que planeio fazer no início de Dezembro e a ida a Almada.
Vou estando minimamente informada acerca do que se passa em Israel, Cisjordânia e Gaza ouvindo os jornais televisivos com as contradições próprias destes tempos conturbados. Tal como aconteceu há dois anos com a invasão da Ucrânia pela Rússia, não tenho dúvida em condenar sem subterfúgios os ataques terroristas do Hamas. Mas nego-me a atiçar os ânimos com excitações. O meu sangue judeu, bom senso e sobras de juízo definem a minha posição no conflito, mas gosto pouco na demonização de quem quer que seja e de generalizações que servem para vender controvérsia e conteúdos sensacionalistas, não interessando a ninguém: nem a judeus nem a palestinos.
As notícias dizem que podemos estar a horas de operação militar terrestre de Israel na Faixa de Gaza. São 23h23 e estou derreada. Vou dormir.