Depois de cinco dias de Turquia, regressei esta madrugada ao Porto. Não escrevi durante este tempo e sinto-me um pouco afastada da escrita. No momento sem grande vontade. Sei que voltará rápido, no fim-de-semana tentarei fazer dois ou três postais. Um só com imagens, outro a relatar com ou sem pormenor - é o que sair na altura - a esplêndida viagem que fizemos. Tentarei também escrever um que ficou em falta.

Por agora, depois de dormir de tarde, organizar as roupas e tralhas da viagem e jantar, conto apenas que troquei o tapete da sala por um mais pequeno trazido da Capadócia. Um Kilim que há muito cobiçava pelo que não me contive ao passar na fábrica - negócio feito à moda antiga, com o forte bater no chão de mais de duas dezenas de tapetes, oferta de chá de maçã, regateio, chamada do gerente para aceitação dos termos propostos, contrato escrito e certificado de autenticidade. Senti-me a cair no engodo em sessão do Hotel Ipanema a negociar tapetes ou time-sharing. Bem sei que tudo isto faz parte dos roteiros óbvios de turismo. Não quero saber. Tenho o tapete que quero e gosto imenso dele. Além de tudo, do aroma a novo: cheira a corda.
Na qualidade de turista parola que não vê além do óbvio e segue os pontos cardeais das visitas costumeiras - além de reservar apenas cinco dias contra os nove que todo o restante grupo permanecerá na Turquia -, venho maravilhada com a beleza dos palácios e Mesquitas em Istambul, o desafogo do Bósforo, a imponência do Jardim Botânico e Maosuléu de Ataturk em Ancara, e claro, das mágnificas paisagens e riquezas naturais e históricas da região turística da Capadócia, da excelente gastronomia - e para meu espanto do óptimo café. Bem impressionada com vários elementos do grupo português de viagem e com o guia - pequeno turco-italiano professor de História Bizantina de look gótico-metálico, ateu, educado por jesuítas e grato por isso, opositor convicto e aguerrido de Erdogan, amante de Jazz&Blues. Tal como havia acontecido há talvez 15 anos no circuito de Itália tive bastante sorte.
Contudo amanhã é dia de trabalho e depois de amanhã também. Preciso reprogramar o cérebro. Por isso deixarei estas lembranças para o fim-de-semana.

Entretanto posso informar que o Jasmim cresceu quatro ou cinco centímetros e a roseira (antes e depois nas fotografias) fez-me o favor de manter as suas três rosas viçosas para a chegada. E o Ritz está deslumbrado com o Kilim (deve julgar que é presente dele), não o larga a espolinhar, a roçar e estirar-se nele. Claro que já levou uns ralhetes por causa das unhas. É bom chegar a casa depois de uma viagem linda e de ultrapassados todos os receios com a logística.