Saio daqui a três horas. Ao contrário do ano passado para Amesterdão, teremos de fazer check in presencial - seja cá no Porto, seja na Capadócia de regresso, apenas em Istambul poderei simplificar por se tratar de troca de avião - como isso não me desse um pequeno friozito na barriga, enfim, estou medrosa, tão longe dos ímpetos de outros tempos. Dizem-me que assim impõe a companhia Turkish Airlines, acrescentam que todos os envolvidos sabem da condição do Nuno. Confesso que não gostei desta referência por dar importância excessiva à cegueira. Apesar do frenesim e insegurança com a logística com que sempre fico em viagem, gosto da ideia de fazer tudo o mais normal possível. Assim lá terei de encarar mais uma fila e a decisão na qual me acanho na maioria das vezes de fazer valer o direito ao atendimento prioritário. Bom, pode ser que tenha vantagens. Admito que me custam estas ocasiões. Gostava que o Nuno visse, que tudo fosse mais simples e as decisões divididas. E, claro, que pudesse tão simplesmente ver e gozar as belezas e curiosidades que vou ver. A puta da vida é injusta.
De resto, estou contente por viajar para um destino muito desejado.
Não vou comprar cartão de comunicações local para o telemóvel, pelo que só o usarei quando tiver WiFi no hotel. Chamadas só de WhatsApp para recados rápidos. Vai ser uma boa forma de desgrudar do aparelho.
O Nuno acaba de acordar como se nada fosse. Creio que se fossemos para a Lua, acordaria 10 minutos antes relaxadíssimo. Que inveja. Mas não era assim, ficou mais tranquilo com a idade. Pode ser que me aconteça o mesmo.