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16/08/2022

Três notas, afinal são quatro


  • Oiço uma qualquer reportagem sobre os incêndios da Serra da Estrela e ao fim de alguns minutos abstraio do que é dito, as palavras são soltas numa melodia que conheço dos relatos de futebol. O que é bizarro. Creio que não me pronunciei sobre os fogos nos últimos anos aqui no blogue ou em comentários por aí - se fiz algum não me lembro. Deixo só três pequenos apontamentos. Já sabem: é conversa de café. Desde criança oiço falar na proliferação dos eucaliptos e também dos pinheiros em detrimento de outras espécies, como os carvalhos, freixos, castanheiros e outras árvores. Nos últimos anos vi debater o assunto. Nada me apetece dizer senão que os oiço falar e falar e falar há anos. A questão da limpeza das matas é também aquele assunto já mais do que notado por todos: é fácil multar particulares por não as limparem, muitos dos quais não obtém qualquer lucro dos terrenos, mas sim permanentes encargos - é claro que é preciso responsabilizar além de se dever incentivar a rentabilização das terras -, mas ainda não percebi quem é responsabilizado no caso das florestas do Estado. Por fim, uma nota positiva nesta matéria dos incêndios. Há anos reparo nas reportagens sobre calamidades em países desenvolvidos e modernos como os Estados Unidos e Austrália, vejo sempre o cuidado das autoridades locais em proteger as populações, retirando-as das zonas afectadas. Este ano, em Portugal, foi a primeira vez que notei esse cuidado e a correspondente pedagogia feita nos jornais (telejornais).

  • Acho que o Ritz gosta de futebol. Ainda não percebi qual o apelativo, mas sempre que dão imagens do relvado com jogadores - quando aproximam - o gato vidra na televisão. Hoje estava fixado nas reportagens sobre contratações, nos momentos que focam os jogadores no relvado. Ai dele que dê em benfiquista ou sportinguista. Vou ter de o educar. A trair o meu Portinho, só está autorizado a ser com o Beira-Mar, o Belenenses ou o Vitória de Setúbal (além Porto, os clubes que eu gostava em criança, por herança, salvo o Setúbal que acho ser coisa minha mesmo, não sei a razão).

  • Há pouco em conversa ao telefone com o meu pai, ao contar-lhe que andava numa de comer o velhinho Romeu e Julieta, disse-me que em 1963 nas viagens para Mafra, parava em Coimbra e comia no Texas um prego no prato, com vinho, o Romeu e Julieta e café, por 12,50 escudos (doze e quinhentos, como se dizia e que corresponde hoje, em euros, a 6 cêntimos).

  • Pergunto-me o que pensarão do lombo do porco e do queijo flamengo com marmelada os muito familiarizados com a catadupa de sucessivas modas da gastronomia. Hoje em dia já nem sei o que está em voga, mas é de todo inadequado falar de comida tradicional portuguesa, sem todos os toques e tiques de modernidade para dar o de entendido e muito contemporâneo, com referências aos brunches com crumble de frutos vermelhos e gogi, à batata-doce e ao risotto (por mais antigos que todos estes sejam, o que interessa são as vagas, as idas e voltas das modas).