Isto de escrever num blogue às vezes é como se jogássemos xadrez – do qual aprendi algumas regras em criança, mas nunca soube jogar. Penso: vou dizer que estou farta de escrever sobre comida e lá temo que salte e cavalo em “éle” e me coma o peão por excesso de explicação. Penso em dizer alguma coisa mais terna ou simpática e penso: quieta, não vá gerar um mal-entendido e a pretensiosa torre achar que lhe quero fazer alguma investida. Já nem me lembro do movimento da torre, sei apenas que é maquiavélica há mais de duas décadas e continua a atazanar-me o juízo. Doutra banda, penso em contar mais estranhezas e defeitos perfeitamente aceitáveis, como a de desenhar as figuras humanas nas duas faces das folhas de papel para que tivessem costas ou trocar a letra “vê” pela “éfe”, e vou assim mexendo os meus peões receosa, sempre de olhos postos nos bispos, que mesmo a ler na diagonal não perdoam excessos de exposição. O rei e a rainha ficam quietos a ver passar os porta-aviões. Ah, não. Isto já é da batalha naval, dessa sei bem as regras; jogava bastante com os colegas no ciclo preparatório e com os irmãos e primos em casa. Uff, estou livre, ar puro.