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20/08/2022

Diário

Hoje não fiz nada de útil. Dia de preguiça completa depois de um sonho bonito. À noite entre outras coisas que esqueci e não deviam ser muito interessantes, sonhei que soprava ruidosamente num umbigo lindo de uma criança pequena que não conheço - aquela brincadeira que faz rir os bebés. Bem sei que os meus sonhos parecem de encomenda, mas não invento, foi exactamente esta imagem que sobrou da noite passada. Mais adiante virá mais e também é outro sonho verdadeiro, nada de contar tretas falsas para encher o olho ou enternecer quem passa. A manhã foi feita de sorna, leituras leves e deambulações no pensamento. Pura ronha. Depois do almoço, que não comi, tratei de agendar a tal viagenzita para Outubro e andei uns minutos no Google maps a acautelar que posso fazer as visitas aos museus calcorreando a cidade. Exausta de tarefa tão cansativa fui dormir novamente. Desta vez, entre outras coisas que me lembro, mas não interessam muito (enfim, casas, a panca do costume, mas desta vez junto a canais por influência da futura viagem) sonhei que estava junto do ancoradouro quando se aproximou de mim um cão grande e de pêlo curto dourado. Tive cautela na primeira festinha para perceber se era dócil, mas além de ser meiguinho era bem alegre e mexido. Seguimos para junto dos vários barcos ancorados no cais à procura do dono, de quem se tinha perdido.
Há épocas em que a minha vida é um drama, de tão difícil. Mas ironia por ironia, sempre digo que quando tudo são doçuras fico apreensiva, temo sempre o que está por vir, apesar de todos os sinais indicarem que não é nada de mau. Gato escaldado de água fria tem medo. Já houve alturas medonhas.
Acabei de ler este diário ao Nuno, antes de dar enter na publicação. Diz ele: é o que toda a gente pensa e sente mas não diz (como sou preciosa no sentido de explicativa, conto que ele não disse "não diz", fez correr os dedos nos beiços como quem cerra um fecho de correr).