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18/08/2022

Obra de Arte

Só vos digo o seguinte: li vergonhosamente poucos livros (sim, por comparação com quem lê e não com quem diz que lê), pouco sei de correntes e géneros literários apesar de ter lido bastante sobre o assunto (que querem, há tópicos que nós calhaus não consolidámos) e admito ter vaga noção do que é o mundo literário e patati patatá, já conhecem a ladainha do costume, mas estou certa de reconhecer uma obra de arte. Ora, As Ondas de Virginia Woof, onde mergulhei no fim-de-semana passado e bebo a pequenos sorvos nos últimos dias, é um monumento de perfeição. Magicar perfis com tamanha densidade e beleza na substância e na forma é de mão de mestre. Uma descoberta com quase 100 anos. Ainda fui a tempo. Amanhã leio mais um pouco, e depois de amanhã mais um pouco. E depois mais (talvez já aqui tenha contado, quando li a biografia de Churchill - a única que li até hoje, outras virão - gostei tanto de o conhecer que, ao aproximar-me do fim, lia apenas uma página por dia para render mais; sou muito poupadinha, é também por isso que leio poucos livros, demoro muito a digerir).