Não tens muito o que dizer. Quando levantas a cabeça do trabalho contente por ainda te deixarem trabalhar, levas com histórias da guerra anunciada a duras prestações há meses, há anos, com sacrifício de vidas de gente inocente às mãos de um facínora deslumbrado, seus lacaios gananciosos e das circunstâncias do momento.
Argumentos múltiplos à escolha dos peculiares ódios do freguês: o sentimento anti-americano ou anti-comunista. Como se os factos dos interesses económicos norte-americanos e da bacoquice de Biden (ou outro qualquer) justificassem uma invasão de um país soberano. Como se fosse o marxismo extemporâneo que comovesse Putin e não a avidez de poder absoluto e a insanidade bélica-imperialista. Razões várias à escolha das paixões do freguês pelas imagens de fragilidade da vítima ou pela exibição de força do agressor como se uma novela de faca e alguidar se tratasse.
Um dia de cada vez, esperas sem esperança pelo futuro próximo com a violência dos confrontos lá na Ucrânia, a intensificação do clima de ameaça no resto da Europa e do mundo - todos os pontos frágeis de tensão territorial ficarão expostos -, e os ataques digitais que colocarão em causa a liberdade e sobrevivência das instituições, das empresas e dos cidadãos.
Tentas imaginar uma solução mágica. Só te vem à cabeça a mais dramática, rápida e trágica. Percebes que não é solução e que mais uma vez a perversão de uma cabeça - que há tanto tempo é notória - com a cumplicidade de um regime podre pode não deixar ao resto do mundo outra solução senão a saída para um combate necessariamente longo e tacticista.
A História repetiu-se e repete-se passo a passo aos olhos de quem a reconhece. Resta começar a compreender as particularidades das alianças e arranjos de conveniência do momento - necessariamente diferentes das do século passado.