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01/01/2021

Vergados pela Covid

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As máquinas podem ajudar a ter uma melhor percepção do que fazemos. Estava convencida que aqui nas Comezinhas pouco escrevera sobre a Covid  e há uns dias pensei fazer um postal gabando-me do facto. Sucede que fiz a pesquisa e fui confrontada com 41 entradas da palavra do ano. Já não me chegava ter percebido tarde demais a possibilidade de se seguir a pegada e estatística das visualizações nos blogues – ao fim de meses de uso. Se for rigorosa, trata-se de uma redescoberta: isto de ter memória de peixe faz com que não me lembre de coisas que estava farta de saber há 15 anos, mas enfim. Depois de ter ficado apreensiva, cheguei à conclusão de sempre: que se lixe - a bem da verdade foi uma conclusão um pouco ao lado e mais penetrante, digamos assim, mas adiante. Se me fosse preocupar com isso não respirava e deve ser uma chatice estar sempre a esconder os passos, o que se faz, o que se pensa, o que se sente. Definitivamente, não é vida para mim. Prefiro a franqueza mesmo, ainda que apinhada de nabice, ou mesmo do ridículo.


Mas vinha isto a propósito do grande tema do ano e da grande comunidade de expertos da Covid em que se transformou toda a população mundial. O vírus deambula entre as certezas muito certas de cada cabeça - do banqueiro suíço, à veterinária australiana, passando pelo empregado de mesa brasileiro -, acerca do uso correcto da máscara, da necessidade ou acerto das medidas restritivas, da eficácia da vacina. Certo é que o corona vergou democraticamente o mundo. E haveria muito a dizer, mas encher mais uma página online com elucubrações sobre a Covid seria um tédio. Prefiro não tomar partido em questões tão inúteis como saber se é pior defeito trazer a máscara abaixo do nariz ou da boca, pendurada no pescoço ou no braço. Se devemos usar as descartáveis ou lavar a 60 graus as de tecido, ou simplesmente matar o bicho com sabão em água morna. Se devemos abraçar os nossos pais no Natal ou ficar no átrio de casa numa qualquer manhã fria de Dezembro. Se devemos desconfiar das vacinas ou dos anti-retrovirais. Como me dizia a segurança do edifício onde trabalho: há sempre opiniões diferentes sobre a Covid. Concordei e pensei: a grande diferença é que trabalhámos aqui as duas há anos e é a primeira vez que conversamos mais do que 30 segundos seguidos. Há quem diga que há muita hipocrisia em todas estas conversas e solidariedades covídicas. Discordo. O corona, ao impor um tema universal e vital que mexe com todas as almas do planeta, obrigou-nos a ouvir os outros, vergando-nos democraticamente, ainda que contrariados.