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09/01/2021

A culpa inteira

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*


Os dedos na ponta do nariz


como em criança no focinho


eterno do Serra da Estrela,


curado a aspirina. A febre,


essa, arde-te na orelha esquerda.


Mas que interessa? Está tudo bem;


na perna não larva o peito.


 


A ruína em brasa na mão direita,


pingou-te sem pesar a culpa inteira.


Recordas, agora, sequer sentiste dor,


resolvida a dissolver o susto


ateaste com desembaraço maior pena.


 


Nas garras carregas as falhas


cruas, nem todas tuas.


E quanto mais despes a humanidade,


mais te pesa a carga alheia. – Larga-a


num assomo de liberdade.