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Em democracia todos temos direito a opinião, mas é preciso ter consciência que a opinião é manipulável e que os instintos humanos passam pela sobrevivência e também pela dominação. A ambição desmedida mina a sobrevivência da convivência sã em comunidade.
Não tenho escrito muito sobre a tragédia que assolou o mundo e, especialmente, Portugal, por dois motivos: tendo mais intuições do que razões, não sei exactamente o que dizer e não quero concorrer para ser mais uma que vê a calamidade como se fosse adepta de facção.
Por agora tenho duas coisas como certas: podemos pouco contra as leis da natureza - que não são justas ou injustas -, por se sobreporem às humanas, mas devemos continuar a defender a democracia, que é apesar de tudo a forma mais razoável de organização da comunidade. Devemos estar atentos e não permitir arbitrariedades que visem não a protecção ou a defesa dos interesses da sociedade, mas tão somente a auto-legitimação dos poderes públicos.
Apesar de, noutras matérias, sentir os males do País enraizados nos comportamentos e traços de personalidade da população, a dispersão da culpa pela turba serve sobretudo para desresponsabilizar quem tem obrigação de nos proteger. A história recente tem mostrado claramente que a permissividade com os poderes públicos e os governos tem dado cabo do País. Numa altura em que o maior inimigo é o descontrolo da acção humana e que temos a sensação de estar na mão das leis da natureza, é muito tentador ser solidário com um presidente congregador e cansado e uma ministra convencida de estar a fazer o melhor. Quase dá vontade de fechar os olhos às artimanhas do habilidoso primeiro-ministro e, com fé na imunidade futura e na bazuca, desabafar: depois logo se vê.
Mas isso seria aviar o provérbio perdido por um, perdido por mil. E como são vidas que estão em causa, é evidente que não podemos alinhar nesta desresponsabilização. Mais ainda quando não sabemos o que por aí vem.
Bom fim-de-semana.