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10/12/2023

Lido

Simon Sebag Montefiore: "É sensato falar de progresso técnico da Humanidade, mas o progresso moral é duvidoso", entrevista de José Manuel Fernandes, no Observador.



Li também o seu outro livro, o Jerusalém. Uma das coisas que mais me impressionou ao ler a biografia dessa cidade foi a quantidade de vezes que ela foi destruída e que sangue foi derramado nas ruas – que o sangue literalmente escorreu pelas suas calçadas. Acha que pode voltar a acontecer?
Pode sempre acontecer, mas não acho que vá acontecer. Acho que o essencial é que, depois da guerra terminar, Israel tenha um governo responsável, que não passe por Netanyahu e Ben Gvir, e que a Autoridade Palestiniana também construa uma nova liderança, que seja suficientemente credível em negociações futuras. Claro que não estou a dizer que vai haver uma solução de dois Estados no dia a seguir ao fim da guerra. Mas é essencial encontrar um caminho que passe por negociações.


Mas é incrivelmente difícil implementar uma solução de dois Estados. Como é que se conseguem separar aqueles dois povos quando estes estão tão misturados?
É muito difícil, não há dúvida. Uma das razões pelas quais escrevi o Jerusalém foi para mostrar que ambas as partes têm posições justas e legítimas, e isso também complica muito as coisas. É um grande desafio, mas é a única solução. A divisão do território é o único caminho. Não podem viver juntos, têm de viver separados, mas têm de partilhar a terra.