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24/12/2023

Diário

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Na manhã de ontem houve saída a dois para pequenitas compras. Mania, para quê? Se até o costumeiro cabaz voltou? Mas faltava a canela, tinha-me esquecido da canela moída e já agora dos paus - os de cá de casa estão a acabar -, e também por causa das superstições na escolha das cores do fim de ano e dos mimos para os gatos da dona L. que cá veio hoje em substituição da próxima segunda-feira para minha alegria. O pequeno-almoço foi na rua: torrada, compal de alperce e café. Na mesa ao lado uma mulher chamada Liberdade trocava fotografias nas redes sociais com a ajuda de um amigo mais novo. Facto: a Liberdade existe, vi-a, é loira da tinta, faladora, ronda os sessenta anos e discute problemas familiares em tribunal e no café - tomei pequeno-almoço na mesa ao lado. Íamos também visitar uma moradia, porém o vendedor adoeceu. Ficou sem efeito até porque vi mais fotografias na página imobiliária e reparei que o acesso ao que seria o escritório deveria ser feito por escadas de metal. Nos últimos três anos registámos uma visita anual a casas em época natalícia, o que só confirma que esta é a altura propícia aos sonhos. Ainda de manhã semeei os não te esqueças de mim turcos - as sementes de Miosótis são minúsculas e eram muito poucas, a ver vamos se nascem no vaso da erva de gato que não chegou a despontar. E passei a Oliveira para um vaso maior.


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A tarde foi de telefonemas e troca de mensagens antes de um reparador sono de fim de dia. Parei o ritmo para falar com família e amigos. Houve troca de palavras intercontinental sobre o gosto que está no sangue pelas árvores de fruto que une Portugal à Austrália e várias outras mensagens que temo sempre cansarem dada a profusão nesta época - mas será que vale a pena desacreditar na sinceridade e engrenar na indiferença? Uma conversa de telefone em voz alta para almoço que reúne avó, filha e neta homónimas, outra mesa mais a norte em fim de almoço com uma voz mandona e simpática de quem tem uma vida agitada, e mais perto a boa-disposição de quem apesar dos muitos afazeres passa sempre a sensação de que tudo se pode descomplicar com antecipação e plano, noutro telefonema a atrapalhação por me ter esquecido de um presente recebido (amanhã comporei a falta usando a oferta e tirando uma fotografia), noutra cidade o desabafo de quem tropeçou no gato e magoou o joelho no degrau da escada, nada que não se componha com a presença dos netos (as crianças sempre amenizam as dores e trazem esperança), um outro gato terrorista noutra casa, noutra fotografia, e conversa sobre os excessos de mimo e zelo com os cães e gatos, no entretanto entra uma mensagem terna de um amigo a quem ainda não tinha ligado nesta longa escadinha de chegados e menos chegados por ordem cronológica, e logo em seguida demorados desabafos entre duas amigas acerca da falta de tempo de tão veloz é a vida e como nos atafulhámos de compromissos e a consciência de termos de ser nós a impor limites pela simples razão dos outros não terem tempo ou disponibilidade para pensarem em nós. Falámos também no trânsito de ontem na A1. Pelo meio mais gripes, hérnias, cirurgiões e neurologistas, menos mau do que a pneumonia que me desaconselhou uma das chamadas previstas. Aos que padecem, os desejos são para que se restabeleçam rápido. E saúde, alegrias e realizações para todos.


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À noite chá preto com mel, risos soltos e muitos desaforos no meio de conversas a dois a quem já restam muito menos anos dos que já passaram – a aconselhar planos futuros na consciência de termos de valorizar o que há e pode ser transformado no melhor dos mundos de sonhos já amadurecidos. Paz com rabugice à mistura, ternura, despaciência e amor. 


 


É a nossa vida comezinha em época festiva, em véspera de Natal.