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06/12/2022

Ninho

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Ano após ano o mesmo cantinho, idênticos pequenos prazeres, iguais berloques e usos caseiros. Que tédio. Onde estão as excitações, as empolgações? Que bocejo de vida.


Não quero outra.


Sortes. Faltavam-me dois presentes de Natal e trocar outro (tamanho errado). Previra passarmos a manhã do próximo feriado de quinta-feira nos centros comerciais. Mas hoje depois do almoço senti que devia antecipar por estar com genica suficiente para encarar tal tarefa depois do dia de trabalho. Pelo que pouco antes das oito partimos para o Norteshopping, ao qual chegámos sem trânsito de espécie alguma e onde nos demorámos menos de 10 minutos. Abençoado Brasil-Coreia do Sul. Continuando tudo desimpedido de tráfego, atravessámos para Gaia em direcção ao Arrábida. Fizemos as duas compras em falta e tencionávamos jantar no Serra da Estrela. Porém, não matámos boas saudades já que inauguraram a táctica dos tabuleiros, o que não faz sentido algum num espaço com escadas. Deixámos a belíssima vista para o Porto, que nos faria jantar lá hoje, como nos fez há 10 ou 22 anos, e fomos ao Bodegão.


E agora enfiada no sofá fruo as luzes coloridas em sossego. Hoje nem a smooth liguei, até por só passar música de Natal. O silêncio é interrompido apenas pelo tic-tac do relógio tagarela holandês, o movimento dos pneus no asfalto dos esparsos carros a passar na rua e um ou outro ruído subtil a provar haver mais vidas neste apartamento e nos vizinhos. Daqui a instantes vou dar a primeira voltinha no livro Cafés do Porto, de César Santos Silva. Findas tão extenuantes tarefas, calcorrearei a alameda de Serpa Pinto do palácio e retirar-me-ei à ala do fundo em busca do leito gelado para dormir. Gosto de hipérboles; dão alegria à vida.