Lido por indicação do leitor Jorge: No país da inclusão, velhos e binários excluídos, de Vítor Rainho, no Nascer do Sol de ontem.
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A questão do fim dos pagamentos a dinheiro preocupa-me bastante mais exactamente por considerar que é desprezar as necessidades de quem não usa tecnologia, nomeadamente, muitos dos nossos mais velhos.
Quanto às casas de banho públicas irritam-me as lenga-lengas das questões de género e as inúteis balelas para o caso do “sente-se homem ou sente-se mulher”. Parece-me tão só que se coloca a questão totalmente enviesada por ninharias das bandeiras identitárias e contra-bandeiras. Há muitos anos considero perfeitamente possível o WC unissexo. Em mais nova recorri algumas vezes às casas de banho masculinas em lugares públicos, atentos os tempos de espera nas femininas que resultavam da mania de muitas para lá se deslocarem em grupos. Não o fiz por me sentir mais ou menos mulher ou homem, mas por estar aflita e com pressa - o que me parecem razões mais do que atendíveis. Claro que não me sentia inteiramente confortável e temi causar desconforto aos outros, acabando por não o voltar a fazer, mas isso deriva da consciência de estar a tomar uma atitude que não é habitual, que vai contra o instituído e me deixa isolada, perdendo a coragem. Porém uma vez banalizado o WC misto, com cubículos individuais e eliminando os mictórios, não vejo razão alguma para haver pudores em lavar e secar as mãos à vista de pessoas de sexo diferente, independentemente das soporíferas questiúnculas de género. Os muitos óbices que se colocam ao uso conjunto do WC têm mais a ver com macaquinhos na cabeça e a vontade de vislumbrar comportamentos desviantes que sempre existiram e existirão para lá da natural evolução da mentalidade. Argumentos igualmente usados aquando da passagem ao ensino misto.
Serei estranha por ver as coisas do ponto de vista prático?