
Há quem chame Lulas à Bordalesa, outros estufadas ou guisadas à Portuguesa. Não sei nem faço especial questão de saber o nome. Em criança tratávamos o prato por "Lulas", com pequenas fatias de pão torrado no fundo da travessa ensopadas no molho de estufar as ditas - tal como alguns pratos alentejanos o pão serve para aumentar a dose e economizar - acompanhadas de arroz branco. Era o meu prato favorito em criança. Continuo a adorar arroz branco, e de mil e uma maneiras; prefiro-o à batata e à massa, apesar de não torcer o nariz a quase nada. O gosto pelo arroz branco diziam-me vir da costela Magalhães.
Hoje fui comê-las ao Orfeu. Não me souberam especialmente bem, por responsabilidade própria, já que não mastiguei as primeiras garfadas com o devido tempo e paciência, o que origina sempre mal-estar.
A ver se um dia as aprendo a fazer em casa. Não têm parecença com as cortadas às rodelas, cor-de-rosa alaranjado. São rosa escuro e a definição de cor aqui é tudo. Lá terei que descobrir os ingredientes. Creio não terem tinta, mas lá que ficam com o semi-ar disso, ficam. Será?
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Adenda. À noite falei com a minha mãe sobre este post. Recordou-me que o que comíamos era uma evolução - degenerescência, digo eu -, dos Calamares en su tinta feitos pela minha avó. Lá está, a cor da tinta de lulas frescas é o nó górdio desta importante questão.