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21/12/2021

Comezinhas 2021

O que se pôde encontrar nas Comezinhas neste 2021 que agora termina? Acordar com um bom dia florido entre apontamentos de harmonia sobre a vida caseira, em postais como costura, varandacasa & conforto e sol e sombra. A contrastar com as fúrias e desilusões com o mundo das máscaras deste Portugal no seu pior entregue à voz dominante dos coveiros. A arrogância de uma elite de fancaria que não permite se trate do bê-á-bá e se ofenda velada e sistematicamente quem não quer entrar no joguinho hipócrita da opinião institucional das televisões, jornais e blogues - plural só na aparência. Tristeza recorrente que me leva dia após dia a escrever mais um postal daqueles no mundo da convicção.


Deixo memórias íntimas no início e no fim ou apenas risonhas a propósito de automóveis. Sobre futebóis, equívocos virtuais, olfacto e o céu nocturno estrelado. Tão simples como a observação da envolvência nas esperas e pequenas viagens de autocarros num mundo efabulado. Mais antigas, recordando os Júlios, ou mais recentes sobre o percurso no trabalho. E o recorrente exame de consciência fora de moda: são os caminhos mais apertados que se escolhem.


Fiz nota no dia da chegada do novo elemento da família Ritz e também da vida selvagem que se lhe seguiu. Uns entram, outros espero que saiam. Não que não lhes tenha dedicado tempo e atenção, mas posto que tudo quanto querem é joguinhos levianos e dissimulados de sedução é bom que fiquem para trás, no passado - têm muito por onde escolher para lançar as suas redes de arrasto. Ano novo, vida nova. Ainda assim fica o registo dos meus devaneios imbecis aqui mesmo nas Comezinhas: brumaspasmadanovelo.


Sorteei três diários de 6 de Fevereiro, 8 de Agosto e 13 de Setembro, afinal foram recorrentes ao longo do ano. E como já tinha notado no ano passado, sempre tenho umas leves notas feministas, agora nos postais mulheres convencionaisaos ladrões da luz e estratégia masculina um e dois


Escrevi um pequeno texto bonito: são truques; outro de que gosto, ou não se chamasse coisa. Tive férias com apontamento de Verão num brando contentamento. Contei a minha mudança profissional. Dei conta mais uma voltinha na Uber e de um corte de cabelo.


Falei de sonhos em vários postais, fica um de amostra. E também de um pesadelo. Confessei uma vez mais as minhas dificuldades de concentração, o que deve explicar em parte a relação esdrúxula que tenho com a leitura, patente nas entradas A Queda e alfarrabistas.


O Nuno veio às Comezinhas para desconfinarmos e falei dessa busca e acaso que é o amor com as particularidades que possui, como a cegueira.


Opinei sobre colonização, mundo árabe e  extremismo islâmicoa linguagem e o que se diz, a moda da psicanálise na vida corrente e o que não se costuma dizer a propósito do existencialismo e comunismo.


E estou a construir algumas séries. O Espanador cuja ideia é realçar notícias ou aspectos cujo interesse me cative sobre cada país. Os Verdes que são memórias de Valinhas. As Tílias que contendo também memórias minhas e dos meus são excertos de uma tentativa de novela ou romance que ficou por fazer ou se está a fazer desta forma estranha.


Quase a terminar o ano perguntei-me: o que seria uma vida boa?


*


No final do ano passado fiz igual suma para o ano anterior no postal Comezinhas 2020.