Ao fim de 3 dias volto a ouvir notícias na televisão. Uma conquista.
E para quê? Para dar de caras com bonecos articulados. A forma como os políticos comentadores se adornam de argumentária é revelador. O facto de lhes adivinhar cada frase, cada ideia também. Nada de natural é revelado, nada de humano sobressai. Como se a humanidade fosse uma menoridade a esconder. Pasmo sobretudo com os que falam sem interrupção, não reflectindo no que dizem. Atirando críticas não em função do que é, mas do que no momento convém. Fazem lembrar aquelas metralhadoras falantes que não se calando dizem frases contraditórias. Ou isso ou vendedores de meias nas feiras.
Outros são mais pensados, normalmente porque acreditam no que dizem e na justeza do que acreditam. Não é garantia de correcção, mas é uma aproximação.
A distância para quem trata e fala de modo natural da sua vida e das questões da vida e do país é de tal modo abissal que ao surgir uma qualquer pessoa que não emboneque o discurso e aparência, limitando-se a dizer o que pensa - tantas vezes o correcto e adequado - é de imediato desprezada e maltratada pelas chusmas de maquilhadores da política que todos os dias ouvimos e lemos nos jornais, na televisão e nos blogues. Não vão estes ilustríssimos artolas ter que explicar o que de facto pensam e de que vivem - da intriga, perdão, do rendimento intelectual.