
Comprei-os há uma dúzia de anos e desde a última mudança de casa não sabia deles. Depois de uma hora a revirar a casa à procura dos adaptadores do carregador de portátil - imprescindíveis nesta altura – faço uma chamada telefónica a pedir para rezar o Responso ao Santo António (neste momento perco os últimos 4 ou 5 leitores que sobram). Trata-se de uma oração que em criança ouvia e diz a tradição ajudar a encontrar objectos perdidos. Oh céus, criatura estúpida e dada ao irracional. Falar de Responso equivale a ter uma argola para pôr o guardanapo ou um saco de água quente onde se enrola o pijama no Inverno. São coisas de outro tempo que já não se usam e talvez por isso, mais do que nunca, aconchegam.
Pouso o telefone e olho para o topo do alçado da escrivaninha de miúda. É ali que está, penso. Peço ajuda para lá chegar. E lá está a caixa. Abro-a e para meu espanto sai de dentro a minúscula caixinha de música da Pantera Cor-de-Rosa a que tenho tanto amor, e já havia procurado várias vezes nos últimos três anos, depois da última mudança. Duas alegrias numa. Pego de imediato no telefone e digo que já não é preciso o Responso. Oiço: andava à procura na internet. Respondo que o Santo António é um santo muito expedido: assim que sente ser procurado resolve logo o problema, sem mais demoras.
Há quem tenha como músicas favoritas composições dificílimas, arranjos muito sofisticados, melodias pouco divulgadas. Não sei se haverá alguma música que me desperte tanto bem-estar e alegria como a Pantera Cor-de-Rosa, de Henry Mancini, reconhecível por todos. Só não digo que é uma das músicas da minha vida, por não gostar de usar a formulação de catálogo.