Há dois dias procurei durante bastante tempo por testemunho de carácter no qual me revisse. Não encontrei. Lancei mão de um que se assemelhasse. Na busca descobri que o mundo está cheio de artistas que se autoproclamam vítimas dos outros e das circunstâncias. Quase nunca de si próprios.
O que o artista se chora por esse mundo fora de dor infligida por outros e pelas circunstâncias é mato. É assombroso que raramente conceba ser o principal responsável por erros, enganos e sofrimentos de uma vida.
Passando ao nível seguinte, enreda-se em discursos dúbios de pulverização de consciência, para que nada se distinga e entre as sombras vingue.
É-me difícil viver num mundo assim. A quantidade de burricadas que fiz ao longo da vida impressiona. E não o escondo. Conto sempre com igual franqueza, mesmo sabendo que nunca a terei.