Para descontrair há quem veja séries ou filmes, leia livros. Há quem faça joguinhos no computador ou telemóvel, zurza em chamadas telefónicas os demónios do mundo, pesquise e faça compras online, resolva o sudoku ou palavras-cruzadas, moa o juízo de quem está à volta, converse amenamente, veja cusquices na internet, troque mensagens instantâneas nas redes sociais, siga os Jogos Olímpicos, veja as notícias com atenção, tolere debates televisivos à volta do sexo dos anjos.

E há quem limpe o filtro do aspirador fazendo uso de um busca-pólos - a chave de fendas mais à mão de semear - sentada numa cadeirinha que esteve presente em todas as casas onde viveu - sim, esta pequena cadeira faz parte das memórias de todas as casas onde vivi dos meus pais e também de todas as minhas; já teve três cores.

E pronto, há uma hora não fazia a mais pálida ideia (não é esta expressão que tinha em mente, mas é a publicável; já esgotei o stock de vernáculo para este ano nas Comezinhas; vou guardar uma para o Outono, se o Governo não continuar a dar motivos, claro) sobre o que escrever hoje. Não há nada como dias cheios, de muito que fazer, para ao fim do dia só sobrar vontade de esvaziar o cérebro com este tipo de tarefas. Servem de grande reset. Espero que o reboot seja sereno.